Entrevista Marcio Leopoldo Gomes Bandeira

1. Qual a importância da atuação do Programa AABB Comunidade na vida das crianças e dos adolescentes do país?

Marcio: A grande importância do Programa AABB Comunidade se faz no reforço da luta pela garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, como alimento na construção da sua autonomia, observando as regras, não de uma forma autoritária e impostas, mas sim, negociadas, dialogadas e democráticas. Nessa perspectiva, formaremos cidadãos com atitudes transformadoras da realidade social.

2. Como o Programa AABB Comunidade têm contribuído para as escolas?

Marcio: As escolas, que, na verdade são as grandes responsáveis pela educação no país, ainda são vistas como as instituições responsáveis pelas práticas educacionais. Estão muito aquém de levar em conta a demanda da nossa contemporaneidade. Ainda trabalham com as concepções de educações tradicionais, que desconsideram a realidade do educando, na participação social e na capacidade transformadora, tanto no presente como no futuro. O Programa AABB Comunidade vem redimensionar essas práticas, contribuindo com as escolas para que elas se transformem e incentivem os educandos a desenvolverem uma nova visão de mundo.

3. O fato de o Programa AABB Comunidade ser realizado em um clube, pode ser considerado com atrativo?

Marcio: É uma quebra de paradigma. A educação é dada em um lugar diferenciado, que enfatiza a ludicidade e o lazer, não como simples forma de recreação, mas como meios de se aprender e construir conhecimento. Portanto, a brincadeira se torna coisa séria e a partir disso, se constrói um ambiente em que as pessoas aprendem a dialogar. Tanto a ouvir, quanto falar. Acredito que a grande importância social do Programa AABB Comunidade é de formar cidadãos com práticas democráticas na sociedade atual, garantindo direitos, respeitando o próximo e construindo a sua própria autonomia.

4. Qual a grande importância do Encontro de Educadores do Programa AABB Comunidade, que acontece de dois em dois anos?

Marcio: Os Encontros possuem grande importância porque neles, encontramos a oportunidade de nos confrontarmos com a nossa incompletude, com o fato de que somos seres humanos errantes, e portanto, temos nossas falhas. Somos possuidores de acertos, mas também, temos caminhos que podem ser retomados, e que precisam ser redimensionados.

Os Encontros acontecem de dois em dois anos para que as práticas sejam reivindicadas e depois de conquistar certo repertório, chega o momento de revê-las, mapeá-las cartografá-las e redimensioná-las. Este evento parte de uma redefinição da noção de erro. No entanto, não trabalhamos com a idéia de uma avaliação que seja classificatória, judicativa e punitiva.

O nosso objetivo é trabalhar com uma avaliação que seja formativa e emancipatória. Nesse sentido, o erro é redimensionado, pois deixa de ser a negação do acerto. Caminhar, essa é a atividade do errante. Construir novos caminhos, percorrer novas trilhas e desenhar novos trajetos sociais. Então, quando nos encontramos para avaliar, nosso intuito é mapear as ações pedagógicas, os caminhos que traçamos durante esse período, pensar quais os caminhos que devem ser levados adiante e quais são aqueles que precisam ser retomados e reparados.

No fundo, o Encontro é uma grande troca de mapas, que são construídos no decorrer desse período de trabalho e que temos a oportunidade de rever, de retomar e contribuir, um com o outro.

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