Garotada guia mostra sobre Nísia Floresta

A vida e a obra da educadora Nísia Floresta foram tema de uma exposição realizada na biblioteca da escola estadual Simon Bolívar, em Guajará-Mirim (RO), entre os dias 18 e 23 de junho. O evento foi promovido pela Fundação Banco do Brasil, pela Petrobrás e pela agência do Banco do Brasil na cidade. Para orientar os visitantes, a agência teve uma idéia criativa: envolveu os mais de 80 jovens do Programa AABB Comunidade para explicar os 16 painéis que integraram a exposição no município.

A iniciativa foi uma das atividades do Projeto Memória, que homenageia a educadora com exposições em 800 cidades brasileiras. Uma semana antes da mostra, a garotada participou de um debate com os educadores do Programa sobre a vida e obra de Nísia Floresta, realizado na AABB da cidade.

Segundo o gerente da agência, Ebenésio Guedes Brandão, a junção das duas iniciativas aumentou a curiosidade e o interesse dos jovens. “Durante a exposição, os educadores ficaram surpresos com a desenvoltura das crianças e adolescentes nas explicações”, destaca a coordenadora do Programa, Ester Martins.

Com 11 anos, Anderson Bulgos Ferreira era um dos mais articulados do grupo. "Foi muito bom ensinar e responder as perguntas", conta o educando. Sobre a história de Nísia, "o que mais gostei foi que ela lutou pelas mulheres e pelos índios, que nem sempre são defendidos", acrescenta.

Nísia Floresta

A educadora, escritora e poetisa, nascida em 12 de outubro de 1810, em Papari (RN) foi batizada como Dionísia Gonçalves Pinto, mas ficou conhecida pelo pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta. Nísia é o final de seu nome de batismo. Floresta, o nome do sítio onde nasceu. Brasileira é o símbolo de seu ufanismo, uma necessidade de afirmativa para quem viveu quase três décadas na Europa. Augusta é uma recordação de seu segundo marido, Manuel Augusto de Faria Rocha, com quem se casou em 1828, pai de sua filha Lívia Augusta.

Em 1831, ela dá seus primeiros passos nas letras, publicando em um jornal pernambucano uma série de artigos sobre a condição feminina. Do Recife, já viúva, com a pequena Lívia e sua mãe, Nísia vai para o Rio Grande do Sul, onde se instala e dirige um colégio para meninas. A Guerra dos Farrapos interrompe seus planos e Nísia resolve fixar-se no Rio de Janeiro, onde funda e dirige os colégios Brasil e Augusto, notáveis pelo alto nível de ensino.

No ano de 1849, por recomendação médica, leva sua filha, gravemente acidentada, para a Europa. Foi em Paris que morou por mais tempo. Em 1853, publicou Opúsculo Humanitário, uma coleção de artigos sobre emancipação feminina, que foi merecedor de uma apreciação favorável de Auguste Comte, conhecido como “pai do positivismo”.

Esteve no Brasil entre 1872 e 1875, em plena campanha abolicionista liderada por Joaquim Nabuco, mas quase nada se sabe sobre sua vida nesse período. Retorna para a Europa em 1875 e, três anos depois, publica seu último trabalho: Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques.

Nísia faleceu em Rouen, na França, aos 75 anos, em 24 de abril de 1885, de pneumonia. Foi enterrada no cemitério de Bonsecours. Em agosto de 1954, quase 70 anos depois, seus despojos foram transladados para o Rio Grande do Norte e levados para sua cidade natal, Papari, que já se chamava Nísia Floresta. Primeiramente, foram depositados na igreja matriz, depois foram levados para um túmulo no sítio Floresta, onde ela nasceu.

Sua mais completa biografia, Nísia Floresta – Vida e Obra, foi escrita por Constância Lima Duarte, em 1995. Um livro de 365 páginas, editado pela Editora Universitária (da Universidade Federal do Rio Grande do Norte) que, em 1991, havia sido apresentado como Tese de Doutoramento em Literatura Brasileira da autora, na USP-SP.

 

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